Túmulo

Afinal, qual a graça de ser médico, e não rir da morte,
Ser programador, e não gargalhar com um loop infinito,
Ser normal, e não rir do esquisito,
Ser rico, e não zombar dos de pouca sorte?


E que graça há, em não desprezar o desconhecido,
Ser pobre e não rir da pobre riqueza alheia,
Ser popular e não gozar da menina feia,
E não diminuir o que já é falido?

Por fim, o cúmulo:
Qual a graça de ser mortal,
E não poder tripudiar sobre o seu próprio
Leito de morte?